Steve 1955 – 2011
Desde que conheci a Apple e comecei a utilizar seus produtos, através de um iPhone 4, fiquei fascinado por todo o produto. Todos os detalhes do aparelho tinham sido pensados, desde colocar e tirar o aparelho em modo avião, onde uma animação bem discreta aparecia na barra de status. A partir daí, fiquei curioso, pois mesmo em aparelhos concorrentes e, afirmam alguns, melhores, não encontro esse tipo de preocupação. Fui atrás de informações sobre a Apple e comecei a realmente virar um Fanboy, e Steve Jobs era o centro disso. E eu não estava sozinho, pelo contrário.
Já havia tido contato com ele durante o colégio, quando um amigo me mostrou o vídeo do discurso em Stanford, e mesmo sem entender o impacto ou quem era realmente aquela pessoa, achei que era um daqueles vídeos marcantes que ficam nos favoritos da conta do Youtube. Mas então comecei a entender o trabalho de Jobs a partir de observar seu ponto de vista em outros meios. A valorização da qualidade de um produto, de valorizar os detalhes, que mesmo que nunca sejam percebidos pelas pessoas são primordiais, pois embora não percebam os percebam, a sua falta irá ser notada. Entendi que tecnologia é algo que deve funcionar, e deve funcionar bem simples. Hoje, as pessoas falam muito sobre quais as configurações que tem seu computador, como o processador, armazenamento, e etc. Agora, quanto de memória RAM ou qual o Clock do processador do seu iPod ou Music Player? A resposta para 99% dessa pergunta é “não sei.” Por que simplesmente não faz diferença nenhuma. As pessoas querem a experiência de usar o produto de forma mais satisfatória, sem se preocupar com esse tipo de detalhe. E o que Jobs desejava era que esse tipo de despreocupação chegasse a todos os Gadgets um dia.
Aprendi que Design é muito mais do que a aparência, e sim como eu vou me comportar com relação ao objeto. O Macbook Pro do qual escrevo isso, ele não é feito em alumínio apenas pela beleza com relação ao plástico, e sim, pelo metal ser um grande dissipador de calor, deixando o aparelho sempre mais frio, aumentando o desempenho e economia de bateria. O iPhone tem uma tela de 3.5” por que é o tamanho máximo que uma tela encontra, para que um dedo opositor possa atingir todas as extremidades da tela sem esforço. Logo quando o iPad foi lançado, os críticos diziam em coro que aquela borda preta ao redor da tela era horrível, que poderiam ter deixado uma tela maior no mesmo espaço. Isso até eles utilizarem o aparelho e verem que sem aquela borda preta, estariam com os dedos no Touch a todo momento enquanto segurassem o aparelho.
Jobs era um vencedor no jogo da vida. Não cursou ensino superior, teve pais adotivos, não tinha dinheiro e mesmo assim, cresceu na vida através de sua inteligência e trabalho. Lutou contra o câncer, venceu e perdeu. Todos também temos chance de fazer o mesmo e vencer. Nem todos entendem o impacto que Steven Paul Jobs teve nessa geração e futuras, desde o desenvolvimento de um computador pessoal simples para todos, até grandes obras de animação como Toy Story, The Bug’s Life (Vida de inseto), Cars (Carros) que contam histórias que fazem até homens barbados se emocionarem. E esse era o segredo do sucesso de Jobs, entender o ser humano e aliar a arte com tecnologia de ponta. O mundo como conhecemos jamais estará sem a computação, e assim sendo é impossível imaginar um mundo sem o dedo de Jobs no futuro.
Muito obrigado, Steve.
As tumbas do futuro
Alguns dos países mais ricos do mundo se localizam no famoso Oriente Médio, principalmente compreendido pela península arábica e seus arredores. A sua riqueza da região hoje é remetida à imensa quantidade de petróleo que é explorada diariamente de suas profundezas, afinal, os árabes são os possuidores da maior reserva do valioso líquido negro no mundo. Com muito dinheiro entrando e a população relativamente pequena, há muito dinheiro para investimentos, como prédios gigantes, pistas de esqui em meio ao deserto e ilhas artificiais. Porém nem sempre foi assim, e certamente, não será.
Com o início da crise do petróleo, os preços dos barris começaram a subir vertiginosamente, atingindo até mesmo a marca de 1000% durante a guerra Irã com o Iraque, grandes exportadores mundiais. A partir daí, os preços foram subindo ano após ano, e hoje ele é avaliado em cerca de US$ 115,00 o barril. Imagine que um dia ele custou algo em torno de US$ 5,00 por barril. E provavelmente ele ainda vai aumentar.
Então essa quantidade de dinheiro entrando dentro do território tornou os árabes muito ricos. Porém, pouco instruídos. É conhecida a grande imigração de força de trabalho especializada para a área, com salários mais altos que os que seriam obtidos em países como o Brasil, EUA entre outros. A maior parte desses funcionários são financiados pelos Sheiks árabes, que ficam com a maior parte da riqueza gerada, propiciando a população uma qualidade de vida satisfatória, porém dentro de uma espécie de ditadura, enquanto os mesmos gozam de luxos e ostentações.
Uma enorme parte desse dinheiro, realmente grande, é investida em obras dignas de serem chamadas faraônicas, como o Kingdom Tower que custará cerca de US$ 30 bilhões para ser construído. E fora este existem outros como o Burj Khalifa que custou em torno de 20 bilhões, estações dessalinizadoras de água do mar, já que o povo precisa de água, muitas ilhas artificiais, diversos prédios comerciais e hotéis com uma grande estrutura e muito luxo. Isso tudo custa muito dinheiro, para construir e para manter.
Hoje os estados árabes são muito protegidos e financiados pelos países do ocidente e oriente, pois são os maiores fornecedores de petróleo, grande propagador das economias. Mas, todos sabemos que hoje se recorre a novas formas de energia, que no futuro, haverão de substituir a matriz energética do petróleo por uma mais limpa e viável. O petróleo vai acabar nessa região. Ainda não se sabe quando, mas irá. E o que irá acontecer com esses países árabes, que tem sua matriz econômica praticamente total baseada na extração e venda do composto?
Na última grande crise mundial, no ano de 2009, os árabes foram atingidos fortemente. O preço do petróleo caiu muito, levando consequentemente a uma queda nos padrões de consumo dos mesmos. Até mesmo o turismo, outra grande força da região dos Emirados Árabes, estava muito estagnado. Obras foram paradas e só agora voltaram a funcionar, com o novo aumento dos barris de petróleo, o dinheiro voltou a entrar no país. Mas, até quando?
Uma cultura fundamentada fortemente em antigos preceitos, principalmente de cunho religioso, e que não se renova é uma forte candidata ao perecimento. Ainda mais, aliada a uma péssima administração de capital feita de forma ditatorial e mal aplicada. O deserto é cruel com os mal preparados, e o povo árabe não demonstra ainda consciência da profundidade do buraco que estão cavando. Como irão se manter essas estruturas com o passar dos anos e o desenvolvimento de novas formas de energia ainda é um mistério que muitos cientistas e economistas querem saber. E parece que nem os próprios árabes sabem a resposta.
Uma das melhores alternativas para os árabes, seria criar uma nova matriz energética e industrial na região, que incentiva-se um maior desenvolvimento interno, como qualquer estado faria. Porém, sem barreiras alfandegárias é difícil competir com o mercado internacional já estabelecido e difundido. Há necessidade de uma nova consciência política na região, certamente não será agora ou em 30 anos que o provável fim virá, espera-se. Porém, nesse contexto atual, todos estes prédios gigantescos não significarão nada mais do que belas lápides para estas novas tumbas do deserto.
Seleção Capital
Charles Darwin escreveu em A Origem das Espécies (On The Origin of Species), várias teses sobre fatores determinantes para a evolução e manutenção de uma raça. Uma marcante frase que podemos citar é:
“Não é a mais forte das espécies que sobrevive, nem a mais inteligente. E sim aquela que melhor se adapta as mudanças.”
Charles Darwin
Ele a usou pra descrever as minúcias e adversidades que se abatiam sobre os todos os seres, causando assim sua perpetuação ou seu fim. Muitos acreditam, e com embasamento, de que o ser humano já não é mais sujeito a tais condições, já que alteramos o meio em que vivemos para que ele sim, se adapte a nós. Porém, dada a genialidade de Darwin, creio que esse não seja o único cenário aplicável a esse pensamento.
Praticamente todas as nações do mundo coexistem num ambiente de competição, visando uma busca pelo acúmulo de capital, bem conhecido por todos, falamos aqui do Capitalismo. Todos estas nações são compostas por grupos de indivíduos com aspirações em comum, formando assim uma unidade, e o estado é a representação destas vontades coletivas, de forma organizada. Porém, analisando mais profundamente nosso objetivo de estudo, as pessoas, temos uma impressão diferente. Pessoas competem entre si também, durante toda a sua vida, visando o seu bem estar individual. Porém, essa busca por melhora na qualidade de vida não reflete em um caos total, e sim num desenvolvimento e cooperação invisível. Adam Smith, grande economista do século XVIII descreve isso em seu livro A Riqueza das Nações (Wealth of Nations) como a teoria da mão invisível do mercado.
“O homem tem quase que constantes oportunidades para esperar ajudar seus irmãos, e seria ocioso que a esperasse de sua benevolência, apenas. Ele será mais bem-sucedido se pode capturar seu egoísmo em seu favor e mostrar-lhes que é para proveito deles próprios fazer o que deles necessita. Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar mas da atenção que dão a seus próprios interesses.
Cada pessoa, não está cuidando de promover o interesse público, nem sabe o quanto o está promovendo. Busca apenas seu próprio ganho, e é neste, como em muitos outros casos, que é conduzido por uma mão invisível para promover um fim que não fazia parte de sua intenção. E nem isto é o pior para a sociedade do que se não fizesse parte. Buscando seu próprio interesse, ele muitas vezes promove o interesse da sociedade melhor do que se estivesse buscando fazê-lo.”
Adam Smith
Isso significa que as pessoas não estão motivadas a agir pensando no bem coletivo, porém, chegam a ele através de uma mão invisível que orienta esse auto-interesse ao bem-estar geral. Assim é, exatamente como na natureza, onde temos os animais na sua luta pela sobrevivência, caçando e tentando sobreviver, disseminando seus genes e se multiplicando. E o fim comum é a manutenção da própria espécie, que é a essência do famoso equilíbrio natural. E assim é na nossa sociedade humana baseada no capital.
De forma indireta, e por severas vezes, direta, competimos entre nossos semelhantes por melhores condições de vida. Em certo momento em nossa infância, muitos de nós somos enviamos pela primeira vez à escola, onde começaremos nosso treinamento. Fazer bem feito, atingir metas, trabalho em equipe para atingir um objetivo, respeito em uma hierarquia são apenas alguns fundamentos que usaremos mais tarde na nossa vida, para vencermos nossa concorrência no mercado de trabalho. E o mercado de trabalho é apenas uma desses cenários. O ser humano é complexo, e esta se expande para todos os ambientes imagináveis de disputa, seja ela uma competição pelas garotas numa festa, ou por um carro mais veloz ou econômico na pista.
Tão complexo quanto nós mesmos, é a nossa vida, que interage com a vida de outras pessoas e seus interesses e objetivos. Essa mescla de convivências faz parte da nossa batalha diária pela sobrevivência e manutenção, e a forma como encaramos os problemas e dificuldades é a forma que é usada para selecionar-mo-nos na sociedade. Se você não é forte o suficiente, inteligente o suficiente, você vai ser prejudicado e sofrer, de um jeito ou de outro. Doenças psicológicas, por exemplo, são extremamente comuns atualmente. E embora possa parecer cruel, são muito comumente conseqüências da mal administração do seu tempo e prioridades na sua vida.
A seleção natural está muito presente no nosso dia a dia, embora não da mesma forma que Darwin a pensou, o seu conceito é muito válido para entender nossa nova forma de selecionar e separar os fortes dos fracos. Fortes e fracos que hoje tem um significado mais amplo e complexo, podendo abranger várias áreas da nossa vida, e felizmente, nenhuma delas efetivamente letal. Esse é um ótimo conceito motivacional para continuar buscando melhorar sempre, desenvolvendo a sociedade competindo com ela. Por isso acredito que é importante avaliar bem suas prioridades e avaliar as regras deste jogo. Ao entrar, que seja para ganhar. Claro, sempre de forma leal, e esperando sempre uma boa disputa com seus semelhantes. Basta entender que embora você possa perder, e em algum momento vai, sempre há um novo campo a ser explorado. E o objetivo final sempre será a nossa realização pessoal e individual.
Jogo de Poder
O ano é 2011. Já a uma década do início do novo milênio, vivemos na era da globalização, das empresas transnacionais, da Internet, das redes sociais, era da informação e de relativa paz no mundo. Há pouco mais de 100 anos atrás, era difícil imaginar um cenário assim, onde temos uma pluralismo de culturas convivendo juntas, cooperando e se desenvolvendo. Houve momentos de grande tensão, milhões de mortes e destruição. Porém, a noite sempre fica mais escura, antes do amanhecer.
Durante a primeira guerra mundial, tivemos diversos interesses estatais em jogo. Todos buscando melhores condições de desenvolvimento econômico, de ter mais poder, melhores rotas de mercado, entre outros. Em 1914, a Europa vivia um período de pleno desenvolvimento industrial, o qual chamamos Revolução Industrial, e alguns países como Inglaterra, França e Itália já estavam mais desenvolvidos que outros grandes, mas menos favorecidos países, como a Alemanha, muito pela sua tardia unificação.
Os estados não tinham o que hoje nós conhecemos como senso coletivo, ou o que nas Relações Internacionais chamamos de Self-Help. Ela consiste em estados diferentes se ajudarem, promovendo assim um desenvolvimento econômico e cultural recíproco. É uma corrente muito bem representava hoje pelos diversos blocos econômicos.
Há várias teses para o início da guerra, entre elas a que mais chama atenção e é tida como principal, seria a do Imperialismo, onde a busca por melhores mercados e condições, culminaria em disputas armadas. A Alemanha era um estado europeu grande, recém unificado e que se sentia atrás de seus vizinhos mais próximos, como Itália e França que anos antes já haviam se estabelecido. Alguns estudiosos relatam que a mídia na época, era extremamente sensacionalista e incentivava o nacionalismo extremo, relembrando guerras e territórios perdidos no passado para estes estados vizinhos.
Durante a primeira guerra, tivemos algo em torno de 19 milhões de mortos, já com uma alta média de baixas militares e civis. As batalhas em sua maioria ocorriam fora das cidades, travadas nas trincheiras, e é assim que ficou conhecida a primeira grande guerra mundial.
Em 1919, e a guerra havia terminado e a Alemanha fora derrotada. Em 28 de junho, a Alemanha assina o tratado de Versalhes, aceitando ser culpada pela guerra e uma série de imposições, de conotação militar, civis e econômicas. Muitos de seus territórios adquiridos foram tomado pelos estados vitoriosos. Algo ultrajante para um povo que sempre buscou as melhores condições. Os Estados Unidos propuseram a criação de uma Liga das Nações, para que houvesse um grupo de países que fossem responsáveis pela paz na terra. Porém, mesmo os próprios EUA não aderiram a sua idéia e a LN nunca vingou.
Em 1934, Adolf Hitler entra em cena, e começa uma nova ideologia na Alemanha, uma política de extrema-direita racista que conhecemos como Nazismo. Ele chega ao poder e começa a dar início em investimentos pesados na área bélica, mascarados como investimentos industriais civis. Na Itália, Benito Mussolini governava desde 1919, baseado num regime de censura e nacionalismo conhecido como Fascismo. Muito parecido com os ideais Nazistas, o Fascismo se diferenciava mais pela questão racista e xenofobia, que era muito acentuada no regime Nazista.
São dois cenários muito parecidos nas duas guerras. Porém, os tempos evoluíram e o território e armamento das batalhas também. A segunda guerra trouxe cerca de 60 milhões de mortos, sendo 45 milhões deles, civis. Isso é uma representação clara do caráter urbano das batalhas, sendo sua maioria, dentro das cidades. Aconteciam do lado de fora da janela, no pátio, nas ruas. A destruição atingiu de forma massiva toda a Europa, além de Japão, China e o norte da África.
Ao fim da guerra, havia muito entulho, mortos e pouco dinheiro. A Europa se encontrava em uma situação delicada, ninguém poderia impor nada, com exceção de um dos vencedores, os Estados Unidos. Com isso é imposta uma nova ordem com a criação das Nações Unidas, uma nova tentativa do que antes tinha sido a fracassada Liga das Nações. Os países europeus não tinham muita escolha, as colônias africanas estavam praticamente fora de controle, não havia dinheiro, haveria de ter ajuda internacional. E essa ajuda veio dos Americanos, porém, nada é de graça e o imperialismo, e a forma de ver seus outros estados vizinhos mudaria permanentemente.
Quais as diferenças que temos da segunda para a primeira guerra? A pergunta pode parecer simples, mas a resposta mais correta deveria ser o número de verdadeiros vencedores. Somente os EUA saiu ileso, com dinheiro e sem nenhuma bomba explodida em seu território. Nenhuma morte civil, prédio ou casa destruída. É fácil afirmar que os mais poderosos países europeus haviam de ter ruído para que houvesse uma nova ideologia imposta. Muitos interesses geram muitos conflitos, digo então, que a segunda guerra foi de fato necessária, para que houvesse uma mudança de pensamento nas pessoas, estados e pensadores da época.
É difícil não imaginar assim, que migramos então de uma invisível Multipolaridade mundial, com grandes e poderosos estados europeus, cheios de colônias africanas e asiáticas, com os EUA crescendo em grandes proporções, tanto econômicas quando militares, após seu sucesso na primeira guerra para uma Bipolaridade de Multilateralismo clara, onde apenas dois países, os Estados Unidos e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) detinham poder e começavam uma corrida e guerra de ideais políticos, usando outros países como seus palcos de batalha política.
Assim, nas Relações Internacionais, também passamos dos moldes realistas – Onde cada estado se via como uma unidade, e buscava avanço de uma forma egoísta e não cooperativa, para o Liberalismo, onde há vários agentes internacionais se que relacionam entre si. Nesse momento de Pós-Guerra, temos um forte crescimento do poder norte americano, financiando a reconstrução da Europa e do Japão, empresas avançando além dos limites do Atlântico e Pacífico e, quem sabe assim seja possível dizer, o início do que hoje temos como a moderna globalização.
O que considero então essencial para que essa transição ocorresse, foi a própria destruição. Vários artigos citam que o pensamento havia mudado, resultado de milhões de mortes, porém, esse pensamento talvez seja demasiado ingênuo. Alguém conseguiu se impor sobre as potências européias, para que uma nova ordem fosse estabelecida. Se as mortes tivessem sido relevantes, a política militar teria também mudado, e não teríamos uma corrida pesada por tecnologia militar no período subseqüente, o da Guerra Fria. Veja bem, algo necessário, não significa que algo seja bom. E ao meu ver, este foi um triste cenário da evolução humana. Talvez por isso as conseqüências dessa nova multipolarização sejam tão imprevisíveis. Hoje o campo de batalha, felizmente para nós, é econômico.
MotoGoogle
O que podemos esperar a partir da MotoGoogle?
No início dessa semana, foi dada a notícia da aquisição do setor de mobilidade (Celulares, Tablets e patentes) da Motorola pelo Google por US$ 12,5 bilhões (aproximadamente 20 bilhões de reais). Com isso o Google entra no mercado de hardware para sua própria plataforma móvel. O que isso significa?
O Android, do Google, tem um crescimento vertiginoso em todo o mundo. Isso muito se dá graças ao investimento da Samsung, HTC, LG, Motorola, Sony Ericsson, Dell, Acer e demais empresas que adotaram o Android como plataforma para seus dispositivos móveis. Ambas tinham certa igualdade perante o Google, com exceção do detentor do Google Phone, marca que já pertenceu a HTC, e hoje é da Samsung. Com a Motorola agora sendo uma empresa Google, as coisas mudam um pouco de figura.
Embora o Google tenha declarado que a Motorola não vai ter vantagens no projeto Nexus, é fácil pensar que isso vai impactar fortemente o mercado de Android. Entre o público mais Geek, atualizações de software em Smartphones são algo essencial e determinante para uma compra. Porém, é algo que já está mudando também. Conforme a população se dá conta que a tecnologia avança em território móvel, começa a se enxergar que isso é de extremamente importância e característica forte do pós-venda de uma empresa.
Fora do contexto tecnológico, essa compra atingiu de forma forte os mercados de ações. O Google mesmo, sofreu uma forte queda de valor, de algo em torno de US$ 550,00 a ação para praticamente, US$ 500,00, segundo o Yahoo Finance.
Algumas das possíveis razões para tal queda seria o alto valor pago pelo Google, que foi superior ao valor de mercado da Motorola Mobility, empresa que mostrava poucos sinais de crescimento de mercado e resultados financeiros ruins. Do lado da Motorola, que também caiu no mercado de ações, a causa foi a surpresa para muitos acionistas, que acharam injustos os termos. Um deles é John W. Keating, que segundo ele, “O valor oferecido não compensa os investidores pelo valor intrínseco da empresa e a falta de alternativas daqui para a frente, nem compensa os acionistas pelo valor estratégico da empresa para a Google”.
Creio que não para por aí. Tudo indica que os próximos Smartphones da Motorola, provavelmente virão sem a criticada customização Motoblur, que se mostrava lenta e descontentava os usuários mesmo nos aparelhos mais poderosos do mercado. Assim, o Google vai entrar de frente com a Apple, utilizando o seu sistema puro nos aparelhos, algo que muitos críticos e usuários sempre almejaram e consideravam um dos calcanhares de Aquiles do Android.
É provável então que empresas que trabalham com o Android, como a Samsung e HTC, se saiam muito prejudicadas com esse novo tipo de competição, podemos esperar então algumas possíveis reações fortes de curto e longo prazo. Uma delas seria um forte investimento em novos desenvolvimentos para o Android, que se tornem melhores até que o dito Pure Google. Isso é um caminho provável para a HTC, LG e outras que competem em níveis diferentes de mercado, com aparelhos mais baratos. O outro caminho seria fazer o que a Samsung (e também a HTC) já fez, que é investir no Windows Phone, plataforma que tem crescido e gera grandes expectativas, porém, ainda sem alavancar grande interesse do público em geral. Porém, a Microsoft tem hoje um acordo forte com outra gigante do ramo de celulares, a Nokia, que provavelmente vai ser o carro chefe e precursor, por muito tempo, dessa nova plataforma.
Outros sistemas, como o quase finado Symbian, da Nokia, e o recém-nascido Bada, da Samsung, praticamente não tem mais espaço em um mercado cada vez mais competitivo e sedento por novidades. A própria HP hoje, deixou claro que sua própria plataforma, o WebOS será descontinuada. A briga vai ser feia, mas o espetáculo é todo nosso.








